Origens Pirata, do grego πειρατής (som semelhante a “peiratas”), derivado de πειράω (algo como “peiráo”) "tentar, assaltar", pelo latim e italiano pirata, é um marginal que, de forma autônoma ou organizada em grupos, cruza os mares só com o fito de promover saques e pilhagem a navios e a cidades para obter riquezas e poder. O estereótipo mais conhecido do pirata se refere aos Piratas do Caribe e cuja época áurea ocorreu principalmente entre os séculos XVI e XVIII.
A pirataria é antiga, o primeiro a usar o termo pirata para descrever aqueles que pilhavam os navios e cidades costeiras foi Homero, na Grécia antiga, na sua Odisséia. Primeiramente a pirataria marítima foi praticada por gregos que roubavam mercadores fenícios e assírios desde pelo menos 735 a.C. A pirataria continuou a causar problemas, atingindo proporções alarmantes no século I d.C., quando uma frota de mil navios pirata atacou e destruiu uma frota romana e pilhou aldeias no sul da Turquia.
Na Idade Média, a pirataria passou a ser praticada pelos normandos (que atuavam principalmente nas ilhas britânicas, França e império germânico, embora chegassem mesmo ao Mediterrâneo e ao mar Morto), pelos Muçulmanos (Mediterrâneo) e piratas locais.
Mais tarde esta se difundiu pelas colônias européias, nomeadamente nas Caraíbas, onde os piratas existiam em grande quantidade, procurando uma boa presa que levasse riquezas das colônias americanas para a Europa, atingindo a sua época áurea no século XVIII.
A pirataria entrou em declínio, mas novas formas de pirataria surgiram: no período entre guerras piratas usando hidroaviões se tornaram comuns no mar Adriático (mar que fica entre a Itália e a costa balcânica).
Ainda hoje a pirataria é praticada: no Golfo de Áden e na costa da Somália, piratas somali atacam qualquer embarcação, e os ataques são cada vez mais ousados. Outros lugares de intensa atividade pirata: na costa da Nigéria (Oceano Atlântico), Estreito de Malacca (Oceano Índico), e no Mar da China Meridional, permeando a Indonésia, existe uma ampla região onde os atos de pirataria são intensos e até mesmo, já “tradicionais” por serem tão comuns e antigos.
No Brasil, os registros demonstram a existência de três pontos mais sujeitos à pirataria: na região norte, região dos Estreitos, unindo o rio Amazonas, e nas proximidades da sua foz, com o rio Pará, ao largo da Ilha de Marajó. Na região sudeste um ao longo da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e o segundo nas proximdiades e até mesmo dentro do Porto de santos, em São Paulo.
Estima-se que cerca de 3.200 pessoas tomadas como reféns de piratas na última década, sendo que 150 deles perderam a vida. Em 2007 foram registrados 263 incidentes em todo o globo, com um crescimento superior a 10% de ataques piratas em 2007.
Em busca de um conceito...
Três características sem dúvida definem um pirata clássico: a origem marginal, a busca pela riqueza através do assalto de embarcações mercantes ou de cidades costeiras e a vida no mar.
Piratas são marginais por excelência. Os grupos piratas são formados por homens (e até piratas mulheres históricas!) de todas as partes e nações. São os párias da sociedade: são escravos fugidos, são degredados, são ladrões etc. A preferência pelo mar e pelo assalto a embarcações mercantes se explica: em regiões como o Caribe, ilhas gregas, costa da África, ilhas indonésias etc, a economia daquelas sociedades tende a se voltar para o mar, muitas cidades costeiras desenvolvem importante comércio e se tornam centro de atração de pessoas de toda parte, que seja pela ausência de governo, ou pela sua fraca presença, pela baixa mobilidade social, e até mesmo pelo estigma social acabam optando por uma vida de crimes. A opção se torna clara: navios são um meio rápido de assalto e fuga. É possível saquear uma cidade portuária e rapidamente zarpar para se esconder em outra. Piratas, Corsários, Bucaneiros e Flibusteiros
Além do termo pirata propriamente dito, pelo menos outros três ficaram famosos: corsário, bucaneiro e flibusteiro. O corsário é o pirata que possuía uma Carta de Corso. Uma Carta de Corso é uma licença de um governo para atacar embarcações inimigas, e era uma forma barata de ampliar a frota de um país, pois era auto-sustentável: o pirata recebia autorização para atacar embarcações inimigas daquele país durante o período de guerras, tinha autorização de saqueá-las, pagando até 1/5 do saque à coroa, e podia se refugiar nas colônias do reino que cedeu a carta. Ao fim da guerra, voltavam a ser meros piratas.
O bucaneiro é o pirata do Caribe. A raiz da palavra bucaneiro está no francês boucanier. O boucan é um grelhador usado para fazer carne defumada. Este é uma forma de preservar carne dos índios nativos das Caraíbas Arawak, que ensinaram a técnica aos colonizadores ilegais em Hispaniola (atual ilha do Haiti e República Dominicana. Estes colonos intrusos caçaram o gado e porcos selvagens e usaram o boucan para preservar a carne para depois comer ou vender aos navios que passavam. Os caçadores que viviam do boucan, ficaram conhecidos por bucaneiros. Expulsos e perseguidos do território espanhol, os caçadores juntaram-se a grupos de escravos e cortadores de lenha do México que tinham fugido, desertores, antigos soldados e outros que tinham sido atacados por navios espanhóis, por isso, este tipo de pirata tinha grande ódio aos espanhóis e semearam a vingança nos navios destes. Os primeiros quartéis militares bucaneiros foram na ilha de Tortuga (capturada em 1630), sete quilômetros a noroeste da de Hispaniola. Mais tarde os bucaneiros usaram a Jamaica para base das duas operações, e capturaram o Panamá em 1671. Chamavam a si mesmos de Brethren of the Coast (“Fraternidade da Costa”). Sir Henry Morgan, corsário, liderou 36 navios e 2.000 bucaneiros na pilhagem e saque da cidade do Panamá (entre 1660-70). Foi o auge da pirataria no Caribe, senhores dos mares que eram.
O termo flibusteiro é de origem incerta, mas acredita-se que derive do inglês fly boat ou do neerlandês vlieboot, em ambas o significado é barco ligeiro. Também pode derivar dos termos freebooter (inglês) ou vrij vuiter (neerlandês) que significa foragido ou pirata em ambas. O termo foi utilizado pela primeira vez pelo Padre Du Tertre, em 1667, na sua obra Histoire Générale des Antilles (...) (História Geral das Antilhas). Mas também associado ao Caribe e aos bucaneiros.
Sociedade Pirata
Piratas sempre tiveram na anarquia a sua principal forma de organização social. No Caribe, havia tanta lealdade que a trapaça entre piratas era praticamente desconhecida. Os muito escassos registros que se tem notícia, sobre piratas trapaceando outros piratas, foram recebidos com perplexidade pela sua sociedade e tratados com banimento. Os bucaneiros de 1640-1680 eram especialmente leais uns aos outros, e esta lealdade era estendida a todos os bucaneiros, não apenas aos colegas de embarcação.
O capitão, ao contrário do que se imaginava, não era um tirano cruel que matava qualquer um que questionasse suas ordens, ao contrário, era escolhido por voto, assim como o contramestre (também chamado imediato), e a palavra do capitão não era a lei, exceto em combate. O capitão era escolhido por ser o melhor estrategista, suas idéias eram ouvidas, mas não imediatamente seguidas. A autoridade do capitão acabava com a batalha, quando então começava a autoridade do contramestre. O contramestre decidia qual o saque a ser levado, e se a embarcação saqueada seria levada também. Era também um bom mercador, sabia onde vender e negociar o produto da pilhagem. Sendo o responsável por dividir as moedas em pilhas iguais e distribuí-las. O saque era dividido em quinhões (cotas), o capitão e o contramestre recebiam cada um entre 1 ½ e 2 quinhões, os demais apenas 1 quinhão. O navio pirata era possuído em comum por toda a tripulação, uma vez que a embarcação havia sido roubada por todos.
A moeda comum entre os piratas era a Peça de Oito (moeda espanhola de prata, valendo 8 reales), e assim aparece em seus artigos e nos romances sobre pirataria. Para fins de jogo, podemos considerar como valendo $1 (um dólar: o peso de 8 reales mexicano tinha $1,016 em prata). Aliás, de Peça de Oito vem o nome da maioria das moedas da América Espanhola: “peso”, formada por sucessivas contrações. Dessa moeda também se originou o famoso “$”: repare no cifrão da coluna da direita, presente no reverso da moeda.
Um pirata poderia entrar facilmente em uma cidade qualquer, com o devido suborno à guarda ($50 em GURPS) para ter uma noite de diversões. Poderia até mesmo parar para consertar o navio ($1.000), e um pirata rico poderia obter o perdão das autoridades (governador) pelos crimes praticados ($10.000).
Muitos navios piratas tinham Artigos de Acordo (Articles of Agreement). Estes artigos cobriam acordos entre os piratas de uma mesma embarcação sobre a divisão do saque, organização e responsabilidades internas, bem como uma espécie de seguridade social, que assegurava um bom pagamento no caso de um pirata se ferir gravemente em combate, resultando na perda de um membro ou outra forma de incapacitação. Exemplo de Acordo
1. Todo homem deve obedecer à ordem civil, o capitão terá direito a 1 ½ quinhão em todos os saques, o mestre, o contramestre, o carpinteiro, e o artilheiro terão 1 ¼ cada.
2. Se alguém tentar desertar, ou esconder qualquer segredo da companhia, ele deve ser abandonado em uma ilha deserta ou num bote com uma garrafa de pólvora, uma de água, uma pistola e uma bala.
3. Se alguém furtar qualquer coisa da companhia, ou roubar no jogo, mesmo que de valor de uma peça de oito, ele será abandonado numa ilha deserta ou num bote ou condenado à morte.
4. Se em algum momento nós encontrarmos outro pirata, o homem que assinar os seus artigos sem o consentimento da nossa companhia deverá sofrer a punição como o capitão e a tripulação o entendam.
5. Aquele homem que ferir outro, enquanto na vigência destes artigos, deve receber a Lei de Moisés (chibatada) nas costas nuas.
6. O homem que fumar tabaco no porão, sem uma tampa para o cachimbo, ou carregar uma vela acesa sem lanterna, deve sofrer a mesma punição que no artigo anterior.
7. Aquele homem que não manter suas armas limpas, próprias para um combate, ou negligenciar suas obrigações, deve ser privado de seu quinhão, e sofrer qualquer outra punição que o capitão e a companhia julgarem apropriada.
8. Se alguém perder um dedo, olho ou artelho durante um combate ele deverá receber 400 peças de oito, se um membro 800.
9. Se em algum momento você se encontra com uma mulher virtuosa, e se mete a ter com ela, sem o seu consentimento, deverá sofrer a morte imediata.
Piratas em jogo
Segue Templates de marinheiros típicos, para GURPS 3ª.ed. Podem ser usados como NPCs ou como um guia para criação de personagem pirata. Além das desvantagens listadas nos tipos abaixo, Código de Honra dos Piratas / Code of Honor (Pirate’s) é apropriado para um bucaneiro. GURPS 3ª.ed.
Marujo Ordinário
ST 11, DX 11, IQ 9, HT 11.
Deslocamento 5; Aparar 5.
Vantagens: Uma dentre: Prontidão +2; Reflexos em Combate; Imunidade; Rijeza +1.
Desvantagens: Uma dentre: Alcoolismo; Covardia; Cobiça; Impulsividade; Zarolho; Hábitos detestáveis.
Perícias: Conhecimento do Terreno (Caribe)-9; Armas de Pólvora-10; Remo/Vela-12; Briga-11; Escalada-12; Culinária-9; Faca-12; Marinhagem-11; Espadas Curtas-10; Manha-8; Natação-11.
Línguas: Uma dentre: Francês; Inglês; Espanhol; Holandês.
Marujo Extraordinário
ST12, DX12, IQ 10, HT12.
Deslocamento 6; Aparar 6.
Vantagens: Uma ou duas dentre: Prontidão +2; Ambidestria; Reflexos em Combate; Empatia; Imunidade; Alfabetização; Visão Periférica; Rijeza +1.
Desvantagens: Uma ou duas dentre: Alcoolismo; Fanfarronice; Covardia; Cobiça; Honestidade; Impulsividade; Inveja; Zarolho; Hábitos Detestáveis; Senso do Dever (Navio e Tripulação).
Perícias: Conhecimento do Terreno (Caribe)-12 ; Machado/Maça-10; Armas de Pólvora -12; Remo/Vela-14; Briga-14; Boemia-12; Escalada-12; Culinária-9; Artilharia-11; Faca, Arremesso de Faca-14; Navegação-10, Shiphandling-8*; Marinhagem-13, Punga-10; Espadas Curtas-12; Furtividade-12; Manha-10; Sobrevivência (Praia)-11; Natação-13.
Línguas: Uma ou duas dentre: Francês; Inglês; Espanhol; Holandês.
*vide GURPS Compendium I, p.161. Faz o mesmo que Remo/Vela, mas para grandes embarcações. GURPS 4ª.ed.
Ordinary Seaman
ST 11, DX 11, IQ 9, HT 11.
Basic Move 5; Parry 5.
Language: One of: French; English; Spanish; Dutch; all at Spoken (Native)/ Written (None) [-3].
Advantages: One of: Per +2; Combat Reflexes; Very Fit +2; Damage Resistance (Tough Skin -40%) +1.
Disadvantages: One of: Alcoholism; Cowardice; Greed; Impulsiveness; One Eye; Odious Personal Habits.
Skills: Area Knowledge (Caribbean)-9; Guns (Musket)-10; Guns (Pistol)-10; Boating-12; Brawling-11; Climbing-12; Cooking-9; Knife-12; Crewman (Seamanship)-11; Shortsword-10; Streetwise-8; Swimming-11.
Extraordinary Seaman
ST 12, DX 12, IQ 10, HT12.
Basic Move 6; Parry 6.
Language: One or two of: French; English; Spanish; Dutch; one at Native and other at Accented.
Advantages: One or two of: Per +2; Ambidexterity; Combat Reflexes; Empathy; Very Fit +2; Peripheral Vision; Damage Resistance (Tough Skin -40%) +1.
Disadvantages: One or two of: Alcoholism; Bully; Cowardice; Greed; Honesty; Impulsiveness; Jealousy; One Eye; Odious Personal Habits; Sense of Duty (to Ship and Crew).
Skills: Area Knowledge (Caribbean)-12; Axe/Mace-10; Guns (Musket)-12; Guns (Pistol)-12; Boating-14; Brawling-14; Carousing-12; Climbing-12; Cooking-9; Artillery-11; Knife-15, Thrown Weapon (Knife)-14; Navigation-10; Shiphandling-8; Crewman (Seamanship)-13; Scrounging-10; Shortsword-12; Stealth-12; Streetwise-10; Survival (Beach)-11; Swimming-13.
Há aqueles com talento para o mar. Neste caso podem adquirir um talento específico que concede bônus em 12 skills diferentes, sendo pelo menos 7 delas apropriadas numa campanha de pirataria.
Talent Seafaring (10 points/level): Boating, Cartography, Crewman (Seamanship), Crewman (Submariner), Engineer (Ships), Fishing, Navigation (Sea), Scuba, Shiphandling, Submarine, Survival (Island/Beach), and Swimming. Reaction Bonus: Pirates, Seafarers, Seamen, both past and present crew. Locais de Interesse
As ilhas de Tortuga e de Jamaica foram os principais centros de pirataria durante a Era de Ouro da Pirataria (1650-1750).
Tortuga foi descoberta pelos europeus em 1494, durante a segunda viagem de Cristóvão Colombo para o Novo Mundo, sendo originalmente colonizada pelos espanhóis.
Em 1625 colonizadores franceses e ingleses chegaram à ilha de Tortuga após inicialmente terem planejado tomar a ilha de Hispaníola. Os franceses e ingleses foram atacados em 1629 pela Espanha comandada por Don Fradique de Toledo. Os espanhóis foram vitoriosos e fortificaram a ilha, expulsando os estrangeiros. Quando as forças espanholas deixaram Hispaníola para desenraizar os colonos franceses de Tortuga, os franceses retornaram para tomar o forte e expandi-lo nas fortificações espanholas. Em 1630, os franceses construíram o Forte de Rocher em um porto natural.
De 1630 em diante, a ilha de Tortuga era dividida entre colônias francesas e inglesas, permitindo que bucaneiros, mais conhecidos como piratas, usassem a ilha mais freqüentemente como sua base de operações. Em 1633, os primeiros escravos foram trazidos da África para ajudar nas plantações. Os novos escravos começaram a hesitar, e em 1635, o uso de escravos acabou. Os escravos, então, saíram do controle, e ao mesmo tempo as colônias francesas e inglesas começaram a discutir e brigar. No mesmo ano, os espanhóis retornaram e rapidamente conquistaram as partes francesa e inglesa da ilha, para logo depois abandoná-la, devido à tamanha importância dada a uma ilha tão pequena.
Esse abandono de Tortuga permitiu o retorno dos piratas ingleses e franceses. Em 1638, os espanhóis voltaram novamente para tomar a ilha dos franceses e dos mais novos colonos, os holandeses. Eles ocuparam a ilha, mas logo foram expulsos pelos colonizadores franceses e holandeses.
Por volta de 1640, os bucaneiros de Tortuga se autonomearam a Fraternidade da Costa (Brethren of the Coast). A população pirata era composta principalmente por franceses e ingleses, com uma pequena parcela holandesa. Em 1645, numa tentativa de trazer harmonia e controle, o governador francês trouxe aproximadamente 1.650 prostitutas, esperando regularizar a vida dos piratas. No ano de 1670, quando os bucaneiros estavam em declínio, muitos piratas, procurando uma nova fonte de rendas, passaram a cortar e trocar madeira da ilha. Nesse momento, entretanto, um pirata inglês chamado Henry Morgan começou a se autopromover e convidar os piratas da ilha de Tortuga para navegar sob suas ordens. Eles eram contratados pela França como uma milícia, o que permitia à França ter uma influência maior na região do Caribe. Conseqüentemente, os piratas nunca foram realmente controlados e Tortuga se manteve como uma zona neutra para eles. Em 1680, novas ações do Parlamento inglês proibiram a navegação sob bandeira estrangeira (em oposição à prática formal). Isto foi um enorme golpe legal para os piratas caribenhos. Acordos finalmente foram feitos pelo Tratado de Ratisbon, de 1684, assinado pelos poderes europeus, pondo um fim na pirataria. A maioria dos piratas, depois dessa época, foi contratada para prestar serviços á Coroa com o intuito de combater e suprimir seus antigos aliados. Poucos anos depois, a era dos piratas chegava ao fim.  De 1656 a 1671, Port Royal na Jamaica, foi a capital dos bucaneiros, sendo dividida em um distrito pirata e outro distrito de cavalheiros, sendo o último o menor. Já foi a mais rica e pecaminosa das cidades do Caribe. Todas as formas de prazeres estão disponíveis para aqueles com dinheiro. A Jamaica foi conquistada pelos ingleses em 1655, quando o ataque à Hispaniola fracassou, a população é composta de escravos e senhores ingleses, com plantations de cana-de-açúcar, e falam inglês. Os ricos agricultores toleram os bucaneiros devido ao seu valor militar, pois ofereciam proteção contra as invasões francesas e espanholas. Foi completamente destruída por um terremoto, desaparecendo em 1692.
Os bucaneiros consideraram a cidade ideal por diversas razões. A sua proximidade com as rotas de comércio lhes oferecia acesso rápido a saques. O porto era grande o suficiente para atracarem seus navios e oferecia um lugar para construção e reparos de embarcações. A localização também era ideal para lançar ataques em colônias espanholas. De Port Royal, Henry Morgan atacou o Panamá, Portobello e Maracaibo. Bartholomew Roberts, Roche Brasiliano, John Davis e Edward Mansveldt (Mansfield) também vieram de Port Royal.
Na década de 1660, a cidade ganhou a reputação de Sodoma do Novo Mundo, onde a maioria dos habitantes eram piratas, promotores de jogos de azar ou prostitutas. Quando Charles Leslie escreveu sobre a história da Jamaica, ele fez a seguinte descrição dos piratas de Port Royal: “Vinho e mulheres sugavam suas economias a tal ponto que alguns viravam mendigos. Há relatos de que gastavam de 2 a 3 mil peças de ouro em uma noite; há quem gastasse 500 para ver uma mulher que lhes interessava nua. Eles tinham o costume de colocar copos com vinho nas ruas e obrigarem todos que passassem a tomar”. Publicado originalmente na Nerun’s Haven em 10.10.2009. Matéria revisada e ampliada para republicação. – Iniciativa GURPS: Piratas – | Port Royal cresceu para ser um dos dois maiores e mais economicamente importantes portos das colônias inglesas. No ápice de sua popularidade, a cidade tinha um bar para cada 10 habitantes. Em Julho de 1661, a cidade liberou 40 novas licenças permitindo a abertura de tabernas. Durante um período de 20 anos que acabou em 1692, aproximadamente 6.500 pessoas viveram em Port Royal. E além das prostitutas e dos piratas, havia quatro moldadores de moedas, 44 taverneiros e uma variedade de artesões e mercadores que viviam em 200 construções espalhadas em 51 acres (206.000 m²) de território britânico. 213 navios visitaram o porto em 1688. A economia da cidade era tão farta que moedas eram a forma de pagamento principal, deixando para trás o escambo e troca por serviços típicos do novo mundo.
Após Henry Morgan ser nomeado para governar o lugar, Port Royal começou a mudar. Piratas não precisavam mais defender a cidade. O comércio de escravos começou a se tornar mais importante. Além do mais, alguns cidadãos não gostavam da reputação da cidade. Em 1687, a Jamaica sancionou leis antipirataria. Ao invés de um refúgio para os piratas, Port Royal se tornou um lugar de execuções. As forcas chamaram muitos à morte, incluindo Charles Vane e o famoso pirata Calico Jack, que foi enforcado em 1720. Dois anos depois, 41 piratas encontraram a morte em um mês.
Abaixo segue um mapa do Caribe e tempo de viagem entre as localidades. 
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